terça-feira, 3 de novembro de 2009
Alma
Alma estranha esta que abrigo,
Esta que o Acaso me deu,
Tem tantas almas consigo,
Que eu nem sei bem quem sou eu.
Jamais na Vida consigo
Ter de mim o que é só meu;
Para supremo castigo,
Eu sou meu próprio Proteu.
De instante a instante, a me olhar,
Sinto, n’um pesar profundo,
A alma a mudar... a mudar...
Parece que estão, assim,
Todas as almas do Mundo,
Lutando dentro de mim...
Raul de Leoni
Eu - modo de usar
Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar.
Acordo pela manhã com ótimo humor mas.... permita que eu escove os dentes primeiro.
Toque muito em mim e me beije o tempo todo.......minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não
conte piadas e nem seja preconceituoso......
......Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, .....não me obedeça ...... eu também gosto de ser contrariada....( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?)
Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e
muito de pescoço.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, pelos e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes.....
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os...
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste.
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.
Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha
sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em
tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca....
Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal.
Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois.... se calhar...
Deixa eu dirigir o seu carro, sua moto, ou o que você adora.
Quero ver você nervoso, inquieto, não olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.
Me conte seus segredos... me faça massagem nas costas....nos pés
Me dê muitos mimos, dengos, carinhos, atenção.....me ouça e dê sua opinião....
Não fume, não beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte!
Se nada disso funcionar.... experimente me amar!!!
adaptação do texto de Martha Medeiros
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Por que diz me amar?
Por que diz me amar?
o que há ainda em mim
que te faz agir assim?
Quase nada restou...
o que havia, o vento levou...
Apenas um poço, fosso
oco, vazio ficou!
Gosto de sair sem rumo
parar onde der vontade
admirar o sol nascente e poente
sem ter hora para voltar
não há noite, nem dia
nem chuva, nem má companhia
nem dores, desamores,
rancores...nem tão pouco
amores.....Apenas lembranças!
Versos, lindos versos
a me acompanhar...
Por que diz me amar?
se ao meu lado
desejavas um outro
alguém encontar?
por Meire Jorge
Querer e ter
Esse estúpido querer
Que me leva a duvidar
Quando eu devia crer
Esse sentir-se cair
Quando não existe lugar
Aonde se possa ir
Esse pegar ou largar
Essa poesia vulgar
Que não me deixa mentir.
Leminski
Na gangorra da vida!
diferentes pessoas...
...engatinhando pela vida!
Juras e juras aceitas
irrealizáveis....mal feitas
Bem dizia minha tia
"gato escaldado tem
medo de água fria"
ciclo vicioso,
muda-se tudo
e tudo se repete
muda-se tudo
e tudo se repete
Crer no impossível
desejo inatingível..
apenas desejos
de um coração
iludido, contundido
altos e baixos
quedas, dores
amores!
por Meire Jorge
domingo, 1 de novembro de 2009
Quem entende as palavras?
Cada palavra uma história
Sinônimos... Antônimos
Pseudôminos...
Quem as lê
Nem sempre as vê
Palavras são assim
Entende quem as escreve
Humilhação....tem não
Consideração...tem de montão
Tudo má ...interpretação
Cabeça não é coração
Bater no peito acelerado
E doer escancarado
Melhor então...ficar parado
como se pudesse
ser apagado!!
como se pudesse
ser apagado!!
por Meire Jorge
Agora é maior a distância
Agora é maior a distância,
Mais escuro o vazio,
mais real a ilusão.
Agora, as minhas mãos dispersam-se
nas flores mortas das manhãs sem sol
em busca dos perfumes perdidos.
Os sorrisos fecharam-se nos rostos.
Os rostos fecharam-se em si
e acabaram submersos
nas teias tardias do ontem.
Terei sido eu a partir?
Serei eu aqui, ou outro
veio morar em mim?
Vão cegando meus olhos em vãs procuras
por que agora é maior a distância,
mais escuro o vazio, mais real a ilusão!
Lidia Borges
sábado, 31 de outubro de 2009
"...você jogou fora, o amor que te dei
o sonho que sonhei...isso não se faz...
Você jogou fora, a minha ilusão,
a louca paixão...é tarde demais....
.....................................
deixa como está...um dia vai passar
o tempo vai curar as feridas,
melhor nao lembrar os momentos de amor, de ternura
melhor tentar esquecer
............................................."
melhor tentar esquecer
............................................."
Razão e emoção
O assovio do vento me sufoca
partiste, levaste contigo
a esperança do que era
do que poderia ter sido
e não pode ser mais
sou mera expectadora
e me recolho no abraço
dos meus braços
cala-te coração
nem sempre tu tens razão!!!
não quero mais te escutar
tu és pura emoção
quero ter meus pés no chão
e não mais viver de ilusão...
por Meire Jorge
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
“Vai passar, tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã, mas dentro de
uma semana, um mês ou dois, quem
sabe? O verão está aí, haverá sol
quase todos os dias, e sempre resta
essa coisa chamada "impulso vital".
Pois esse impulso às vezes cruel,
porque permite que a dor insista
por muito tempo, te empurrará
quem sabe para o sol, para o mar,
para uma nova estrada qualquer e,
de repente, no meio de uma frase
ou de um movimento te surpreenderás
pensando algo assim como "estou
contente outra vez”.
Caio Fernando Abreu
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Vazio e oco
Como há de germinar
alegria, encantamento
em coração deserto
ressequido pelo tempo?
Nada novamente é manhã
o que espera de mim?
vazio e oco sim,
quisera eu que mais
alguém soubesse de mim
minha dor é do meu céu
que desnudo sem medo
abraço com força o vazio,
deixo soprar sem cessar os ventos
vinho e champgane intactos
silêncio, longo silêncio...
" não ser boa companhia "
é a resposta que resta
dela sobrevivo e tiro forças
para seguir e repetir
quantas vezes necessário for
até que meus ouvidos ouçam o clamor
e dos lábios brotem novamente
sorrisos que preciso
para beijar as ondas
e subir ao infinito!
por Meire Jorge
domingo, 25 de outubro de 2009
Corações e abraços
Todos os dias
deixo para trás
marcas vividas,
feridas rasgasdas,
curadas, cicatrizadas
ou apenas adormecidas
Um amor, uma flor
uma dor
sentimento, forte
aparentemente infinito,
inabalável....
no entanto o ser amado
constrói .....destrói...
tirando dia a dia
o que fora cultivado,
cavando um
poço, fosso, oco
escuro...e assim vazio
abalado e finito...
ruínas, pedaços
corações e abraços
fora do compasso...
por Meire Jorge
Sem saber de amar
Não sei deixar de amar
Nem respirar mais
Não penso mais só em ti
Nem razão há pra ser assim
Sairei pra recolher gotas de luar
Após a chuva passar
A nova caminhada é uma descida
Talvez prepare uma nova subida
Outra vez, sem deixar de amar
Adroaldo Bauer
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
A espera
De tanta espera
me canso...exilada
em meu recanto
Trovões, relâmpagos
iluminam meus prantos
Exacerbando a resistência
que flui da carência
inundada pela solidão
me perco nas curvas
de um coração!
por Meire Jorge
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Sedução
Minha mente divaga
quando meu olhar baila
sobre teu corpo
percorrendo caminhos
atrevidos, proibidos
Intempestiva e descontrolada
te seduzo, abuso...
delírios, suspiro
transpiro...perigo!
por Meire Jorge
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Legado
Deixarei por herança
não o poema
mas o corpo no poema
aberto aos quatro ventos
Pois todo poema
é verde e maduro,
em areia movediça
de angústia, solidão
Onde me debato
ainda que finja o contrário
em busca da verdade
e seu chão
Deixarei por herança
não o poema
Mas o corpo repartido
na viagem inconclusa
Pois todo o poema maduro
é um verde poema
E, mesmo acabado,
se estriba na inconclusão
Claro, sem esquecer,
o estratagema da paixão
Lindolf Bell
Caminho do campo verde,
estrada depois da estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.
Eu ando sozinha no meio do vale.
Mas a tarde é minha.
Meus pés vão pisando a terra
que é a imagem da minha vida
tão vazia mas tão bela,
tão certa mas tão perdida!
Eu ando sozinha por cima das pedras.
Mas a flor é minha.
Os meus passos no caminho
são como os passos da lua:
vou chegando, vais fugindo,
minha alma é a sombra da tua.
Eu ando sozinha por dentro dos bosques.
Mas a fonte é minha.
De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto.
Subo monte, desço monte,
meu peito é puro deserto.
Eu ando sozinha ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.
Cecília Meireles
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
O que me atrai no mar não é o mistério
Da superfície côncava das águas
Mas a infindável rumorosa fala
Que do pélago rola até as praias.
Só o céu está à altura de seu diálogo
E no horizonte ambos se confundem:
Uma mensagem chega em cada vaga,
Do infinito um chamado para os homens.
E, assim, te escuto, ó mar, perdidamente
Procurando captar o ensinamento,
Que se faz e desfaz cada momento
Na unidade de teu espelho ingente,
Por mais que teus segredos nos escondas
Na conversa dinâmica das ondas.
Miguel Reale
domingo, 18 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Poeira ao vento
Eu fecho meus olhos
Somente por um momento e o momento acaba.
Todos os meus sonhos
Passam diante de meus olhos, uma curiosidade.
Poeira ao vento,
Tudo que são é poeira ao vento.
A mesma velha canção,
Apenas uma gota de água num mar sem fim.
Tudo que fazemos,
Desmorona-se no chão, embora nos recusemos a ver.
Poeira ao vento,
Tudo que somos é poeira ao vento.
Nada dura para sempre, exceto a terra e o céu.
Tudo desaparece,
E todo o seu dinheiro não comprará outro minuto.
Poeira ao vento,
Tudo que somos é poeira ao vento...
(tudo que somos é poeira ao vento)
Trad. música de Sara Brightman
Trad. música de Sara Brightman
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Teus versos
Teus versos minh'alma tocam
desejos e devaneios
pensamentos permeiam
fazem a pele arrepiar
e o coração acelerar
uma doce viagem...
de volta ao chão
" todo dia aprendo
um pouco mais"
realidade dói demais
verso não é tudo
existe um mundo mudo
onde emoções
complementam ações
Equílibrio perfeito
para quem tem amor no peito!
por Meire Jorge
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Dúvida
Tudo para mim é um duvidar
Com a normalidade sempre em cisão,
E o seu incessante perguntar
Cansa meu coração.
As coisas são e parecem e o nada sustém
O segredo da vida que contém.
A presença de tudo sempre perguntando
Coisas de angústia premente,
Em terrível hesitação experimentando
A minha mente.
É falsa a verdade? Qual o seu aparentar
Já que tudo são sonhos e tudo é sonhar?
Perante o mistério vacila a vontade
Em luta dividida dentro do pensar,
E a Razão cede, qual cobarde,
No encontrar
Mais do que as coisas em si revelam ser,
Mas que elas, por si só, não deixam ver.
Alexander Search
Para Érico Veríssimo
O dia abriu seu pára-sol bordado
De nuvens e de verde ramaria.
E estava até um fumo, que subia,
Mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.
Depois surgiu, no céu azul arqueado,
A Lua – a Lua! – em pleno meio-dia.
Na rua, um menininho que seguia
Parou, ficou a olhá-la admirado…
Pus meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo… Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!
E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude…
de Mario Quintana
(e de todos nós apaixonados por ti)
terça-feira, 13 de outubro de 2009
me encante...
momentos felizes
outros nem tanto
no entanto
águas de um rio
jamais serão as mesmas
amores se perdem
pelo caminho
disseste não
ao meu coração
meu tempo
não esperaste não
aqui fiquei
com um cravo
no peito...
como pode ser
amor? se plantaste
tamanha dor!!
Que queres de mim?
nem minhas dores
e mágoas posso
sentir?
Tempo, oh! tempo
corre bem rápido
assim,
tire isso de mim
me encante
cante
em carne e osso
poemas pra mim
só alvoroço
não creio mais
neles não
seu moço!
por Meire Jorge
Orquídeas ....rosas
Tão frágil, tão bela...
tão inesperada!
A simplicidade em cada pétala;
o encanto me encanta
Entre as orquídeas
e as rosas, não sei
dizer quais as mais charmosas...
Agradeço, simplesmente!!!
Dor e Tormento
Hoje minha dor me acordou bem cedo
Antes mesmo de o sol raiar
Fechei os olhos
Tentei novamente sonhar
Desfolhar as horas
Aniquilar os minutos
Triturar os segundos
Um autêntico tormento
Sou apenas uma folha caída
Na solidão do vento!
Por Meire Jorge
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Gosto dos venenos mais lentos,
das bebidas mais amargas,
das idéias mais insanas,
dos pensamentos mais complexos,
dos sentimentos mais fortes…
tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas,
por que eu não espero acertar sempre.
por que eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim,
por que vou seguir meu coração.
por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual,
por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não me convidem a ser igual,
por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei
a mesma pra sempre!"
mas com certeza não serei
a mesma pra sempre!"
Clarice Lispector
Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
William Shakespeare
sábado, 10 de outubro de 2009
Evocação do canto
Cansei do twitter, do blog, do e-mail
Cansei do site, profile, up-grade
Cansei do notes, do router, do browse
Cansei do spam, dos groups, dos bites
Cansei do post, dos links, mensagens
Cansei da tela, do arquivo, do mouse
Cansei da rede, do micro, teclado
Cansei da velha e falsa amizade
Que se esfarela nas comunidades
no facebook, no orkut, em bobagens
Quero de volta o mar, devorado pelo inverno
Quero de volta a praia sem a tensão pré-sal
Quero de volta o cinema no verão
Quero a praça, o refrão, a gargalhada
Quero o som visual de todas as aves
Quero a natureza refeita do susto
A flor passageira e turva do cerrado
Terra sem veneno, semente frágil
Quero rios de águas livres e lisas
Caindo, véu da noiva, sobre abismos
Quero te ver outra vez, minha miragem
Com a chance do tempo e sua vontade
Quero acenar do convés, sopro de brasas
Sofreguidão incerta, surpresa de escarpas
Quero me encantar de novo, musa, quimera
Descerra essa violação, afasta essa solidão
Venha me encontrar na última carruagem
Pegue o trem, pilote o avião, pouse em Marte
Retorne com as palavras perdidas no porão
Venha, rouxinol, cante que é tarde
Nei Duclós
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
O sono das águas
"Há uma hora certa,
no meio da noite, uma hora morta,
em que a água dorme.
Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d’água,
nos grotões fundos.
E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir...
Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas da folhagem.
E adormece
até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes...
Mas nem todas dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono".
-Guimarães Rosa
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Falar De Amor Não É Amar
Eu segui os seus passos
Achando que você
Soubesse onde ir
Eu me vi em seus sonhos
Perdido, sem saber
Que direção seguir
Mundos tão estranhos
Nas palavras que eu ouvi
No fundo dos seus olhos
Afogado em gelo
Eu descobri
Falar de amor não é amar
Não é querer ninguém
Falar de amor
Não é amar alguém
Eu caí em pedaços
Um grão de areia carregado
Por marés
Derreti em seus lábios
Sentindo o chão sumir
Embaixo dos meus pés
Dias esquecidos
No verão que eu inventei
Eu sei que você vive
Das mentiras que eu acreditei
Capital Inicial
Composição: Dinho Ouro Preto/alvin L.
Amor e opinião
Brusco, tosco, grosso
é questão de opinião
você pensa assim
eu não
Penso que amar
é não ter que pedir perdão
tamanha é a dedicação
por isso estamos
na contra mão
Você com sua razão
eu com minha emoção...
Meire Jorge
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Amor que tenho para dar!
Um sentimento profundo
De jantar a luz de vela
Até a porta de uma capela
É algo assim....naturalmente
Eterno...belo
Atitude, fidelidade
Intelecto, afinidade
um olhar,um toque,
gostar de uma boa canção
carinho então...tem de montão!
Chora com tua tristeza
Se perde em olhos
cheios de alegrias
Explode no corpo...
calor intenso ferve a razão
Espera jamais ter que dizer não
sabe não o que é perdão
vive trancado no fundo
a espera quem sabe no mundo
encontrar quem o mereça
e queira compartilhar...
na verdade que padeça
do único bem que é amar!!
na verdade que padeça
do único bem que é amar!!
por Meire Jorge
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Rosa vermelha
Lenda linda
rosa vermelha,
buquê formoso
magestoso
por aqui não chegaste...
simbolizas regeneração?
ou será só impressão?
Fostes tu tingida
com o sangue de Adônis?
ou de Afrodite
que saia fugida
corrida, amendontrada
de amores!
Oh! rainha das flores
macia, aveludada
perfumada
paixão pela vida
encarnada
Tamanha beleza
me enfeitiça
Por que me feres
com teus espinhos?
por Meire Jorge
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Ficamos os dois sozinhos
E então ficamos os dois em silêncio, tão
quietos
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois
caminhos
que se juntam
num mesmo caminho...
Já não ouso... já não coras...
E o silêncio é tão nosso, e a quietude
tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas...
Nada há mais a dizer, depois que as
próprias mãos
silenciaram seus carinhos...
Estamos um no outro
como se estivéssemos sozinhos...
J.G. de Araujo Jorge
Fonte:http://schsonia.blogspot.com/
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